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Professor: O que seria de nós sem eles?

Desde a primeira infância, estamos sempre aprendendo alguma coisa com alguém. Mas existem pessoas que possuem um dom especial: a maestria em ensinar.

E quando encontramos alguém que ensina com paixão, conhecimento e liberdade, o aprendizado ultrapassa os limites da sala de aula. Torna-se inesquecível.

Em tempos turbulentos, quando tantas informações circulam sem que se saiba ao certo sua origem, sua veracidade ou até mesmo o contexto em que determinados acontecimentos ocorreram, minha memória me levou de volta aos tempos de escola.

Lembrei-me dos meus professores de História.

Ao contrário de muitos colegas, eu não matava aula. Principalmente as de História. Eu amava!

Era início da década de 1990. O Brasil vivia um período de reconstrução democrática, e eu estava no Ensino Médio.

Guardo uma lembrança muito especial daquela época.

Lembro-me da emoção de um professor ao falar sobre acontecimentos que, durante muitos anos, não puderam ser discutidos livremente nas salas de aula.

Havia algo diferente em sua maneira de ensinar.

Não era apenas uma aula sobre fatos históricos, datas ou personagens. Era alguém que havia atravessado um período de censura e repressão e que agora podia falar abertamente sobre aquilo que antes precisava ser silenciado.

Eu via em seu rosto o orgulho de ensinar. A satisfação de prender a atenção de uma turma de adolescentes, muitas vezes bagunceira, enquanto contava capítulos importantes da nossa História.

E nós aprendíamos.

Aprendíamos sobre guerras, governos democráticos, ditaduras, direitos e deveres. Sobre a Constituição, a liberdade e o significado da democracia.

Mas havia algo que talvez nem aquele professor imaginasse estar ensinando.

Ele nos ensinava a importância de conhecer a História para não permitir que ela fosse esquecida.

Naquela época, talvez eu ainda não compreendesse a dimensão de tudo aquilo.

Hoje compreendo.

Compreendo a emoção daquele professor. Compreendo o valor da liberdade que ele experimentava. E compreendo, sobretudo, a responsabilidade de transmitir às novas gerações aquilo que tantas outras viveram.

Hoje, diante de tantas versões, interpretações e tentativas de recontar acontecimentos, percebo o quanto aquelas aulas foram importantes para a formação do meu pensamento.

Aqueles professores não me ensinaram apenas a memorizar fatos.

Ensinaram-me a questionar, a buscar conhecimento e a reconhecer o valor da liberdade.

Por isso, neste Dia dos Professores, minha homenagem vai especialmente para aqueles que resistiram, que preservaram a memória e que nunca perderam a coragem de ensinar.

Talvez eles não saibam, mas suas palavras continuam vivas em muitos de seus alunos.

Em mim, certamente.

E se hoje posso olhar para o passado, compreender o presente e escolher conscientemente de que lado da História desejo estar, devo muito a eles.

Porque ensinar História não é apenas contar o que aconteceu.

É ajudar a construir a consciência de quem ainda vai escrever o futuro.

Triste é a nação que não tem memória.

Por Betânia Meireles.

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